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A
problemática da existência de um teatro português.
Existe
um teatro Português?
Esta interrogação sobre a existência de um autêntico
teatro português vem de longe, entendendo-se este como
forma de expressão artística e não apenas literária,
com características próprias e com o objectivo de elevar
a identidade nacional.
Sobre esta temática pronouciaram-se Garret afirmando
estar preocupado com a "esterilidade dramática", mas
também Eça de Queirós num artigo de As Farpas que parecia
responder afirmativamente à pergunta levantada anos
atrás ao seu compatriota. Aliás para Eça " o português
não tem génio dramático, nunca o teve mesmo entre as
gerações literárias passadas, hoje clássicas", esquecendo
deste modo nomes como Gil Vicente, António José da Silva.
A opinião de Fialho de Almeida, corroborava as anteriores,
dizendo que salvo Gil Vicente nenhum outro dramaturgo
português alcançou a universalidade de um Camões, um
Eça, um Pessoa, o que parece revelar uma fraqueza congénita
do povo português para a criação teatral.
Para conseguir retirar alguma conclusão verosímil será
necessário conjugar a especifidade do teatro como categoria
estética e os contextos históricos onde se tenta desenvolver.
E dúvida que deste enquadramento se depreende a natureza
do teatro enquanto ligada directamente a factores sociais,
económicos, políticos, dependendo as condições cénias
da presença de uma comunidade de sentimentos e opiniões
de consciências, o que já por si é dificil de encontrar.
A juntar a esta dificuldade ainda é necessário acrescentar
o temperamento português individualista e avesso às
grandes empresas colectivas, sendo a epopeia dos Descobrimentos
possivelmente a única excepção, pois pressupôs uma conjugação
ordenada de esforços, o que também se deveria reflectir
no teatro.
Talvez o problema do teatro nacional mexa com toda a
estrutura da sociedade portuguesa. Sem dúvida que só
intervalarmente o teatro surgiu e sempre com uma faceta
comunitária, foi o caso de Gil Vicente que surgiu na
corte Quinhentista do rei D.Manuel e plena expansão
maíritima e posteriormente, três séculos mais tarde,
Almeida Garrett durante a restauração romântica e liberal.
De notar que nestes períodos a acção repressiva das
instituições vigentes encontrava-se atenuada. Ainda
assim, muitos foram os ensaístas, poetas ou romancistas
que se serviram desta categoria literária, embora descontinuamente,
ora aberto à gargalhada, ora fechada à dolorosa tragédia,
memória e testemunho da vivência colectiva de um povo
cuja identidade se procura exprimir através de uma linguagem
própria, e sem a qual se criaria uma imagem desfocada
da cultura portuguesa.
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