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As
origens
Primeiramente a história do teatro não se deve limitar
à análise dos textos dramáticos, o que seria apenas
evidenciar a históroa da literatura. O actor, o espectador
são também juntamente com o autor e texto expresão viva
desta arte.
Assim sendo, afirma-se que o teatro português nasceu
nos alvores do sécuulo XVI e que teve como seu fundador
Gil Vicente, parecendo crer que durante quatro séculos,
decorridos deste do ínicio da nacionalidade até à representação
do primeiro acto vicentino, o instinto teatral tenha
sido anulado. Estas afirmações são sustentadas na ausência
de textos dramáticos anteriores a Gil Vicente, o que
suscitou a advertência sábia de Leo Spitzer para a necessidade
de ao teorizar a informação ter em conta os factores
permaneentes de cultura, o que leva a rejeitar a tese
absurda que o teatro em Potugal antes da era vicentina
fosse inexistente.
De facto, como seria possível a não existência em Portugal
de manifestações dramáticas próprias de Idade Média,
quer de natureza religiosa como profana, tendo em conta
a interdependência das literaturas portuguesa e espanhola-lirismo
galaico-português-, bem como o ritual litúrgico das
ordens religiosas, os jograis e trovadores que deambulavam
por terras lusitanas com os seus episódios burlescos
e novelas de cavalaria. A questão situa-se evidentemente
numa carência de textos escritos, ou ainda rudimentares,
a juntar ao carácter oral de todas as litaraturas nos
seus primórdios. Digamos pois que com Gil Vicente o
teatro português abandona a sua fase embrionária para
assumir uma existência artística-literária. Sintetizando:
sai da pré-história para entrar na sua história propriamente
dita.
O testemunho mais antigo que se conhece de manifestações
teatrais na Idade Média remonta ao ano de 1193. Trata-se
de um documento relativo à doação de umas terras no
lugar de Canelas da freguesia de Poaires do Douro que
o Rei D.Sancho I fez ao jogral Bonamis e ao seu irmão.
Foi a paga de um arremedilho que estes teriam representado
na sua corte. Essa doação foi confirmada em 1222 por
D. Afonso II a Bonamis e aos herdeiros do seu irmão
entretanto já falecido. O arremedilho seria assim a
celúla mãe do teatro português, a partir do qual se
formou segundo Teófilo Braga o fio condutor da tradição
dramática.
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