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Teatro Português                              p.<< 5 6 7 8 >>

A Maioridade

Gil Vicente Gil Vicente foi um homem de teatro integral, e a ele se deve sem dúvida a consistência do teatro português, não só devido ao seu génio como também à multiplicidade de géneros e formas dramáticas, cruzamento de linhas de influência, como a de um Shakespeare ou um Molière.

Assim, não apenas constituiu uma síntese como lhe acrescentou o seu complemento indispensável e representação, com um cojunto de actores. Nasceu por volta de 1465 e faleceu em 1536, tendo sido testemunha de uma época mítica para a nação, carascterizada pele política de expansão marítima, a hegenomia geográfica e económica, manifestada pela ultrapassagem da Boa Esperança, 1487, no reinado de D. João II e, no reinado de D. Manuel, com o Descobrimento do caminho marítimo para a India em 1498 e do Brasil em 1500.

Apesar dos ecos de mudança de florescimento o país estava assombrado por contradições, demonstradas com a reintrodução da Inquisição em 1531, os fracassos da campanha do Norte de África e a sujeição de Castela em 1580. É esta dualidade que a própria obra vicentina vive durante 35 anos. Entre 1502 e 1536, Gil vicente escreveu e pôs en cena cerca de cinquenta autos, vendo sendo a maior parte reunida por seus filhos Luís e Paula Vicente, numa Compilação editada em 1562, e reeditada vinte e quetro anos depois, com cortes impostos pela censura inquisitorial.

A obra estaria dividida em quatro secções: obras de devoção, comédias, tragicomédias e farsas, embora peque por aglutinar obras dissemelhantes e com fins distintos. A classificação tripartida: comédias, farsas e moralidades, enunciada pelo próprio Vicente é mais correcta.

Com a adopção desta classificação não significa que obras incluídas em cada uma das categorias revele completa homogeneidade. Nos autos religiosos dever-se-à distinguir autos pastoris de moralidades, com um estrutura e ideologia mais complexas, havendo ainda diferenças entre comédias alegóricas, estruturalmente mais próximas de moralidades, com um espírito de novela de cavalaria.

A cronologia desvenda a evolução interna da obra vicentina, que de forma global descreve uma parábola idêntica à do teatro medieval, geneticamente vinculado à litúrgia cristã, mas tendendo de forma gradul para a secularização. Pluriforme e plossémico, é o teatro de Gil Vicente, sem categorias estanques, reflectindo múltiplas facetas e tensões contraditórias. A dualidade temática faz confluir autos religiosos com autos profanos. Imsicuindo por sua vez a dualidde estrutural, levando à anulação da linearidade.

 

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