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Gluecifer
Isto é música com atitude!
22.Fev.2003
Uma magnífica iniciativa esta da Blow Up productions (em conjunto com a revista Rock Sound), que acertou em cheio ao trazer a Lisboa duas belas bandas de rock — falamos dos Gluecifer e dos Toilet Boys —, dois nomes que não deixaram a sua arte por mãos alheias e explicaram em palco o porquê de serem vistos com grande respeito pelos países onde são mais conhecidos. Infelizmente isso não acontece no nosso cantinho. E dizemos infelizmente porque foi pena não termos visto o Paradise Garage mais cheio para receber três bandas por dia e a preços de ocasião. Pois é. Mas nem assim a sempre espectacular sala de Alcântara se encheu para ver este evento. Será culpa do Durão? Ou somos nós que não sabemos aproveitar o pouco de bom que nos vai chegando lá de fora? Vá se lá saber... Antes de falar pormenorizadamente das bandas, uma confissão. Este vosso humilde escriba perdeu as primeiras bandas nas duas noites. Por culpa própria e falta de hábito em relação aos profissionais horários praticados no Garage, onde os concertos acabam à meia-noite e para meter tanto artista num só concerto é preciso começar cedo. As minhas desculpas não só aos nossos leitores, como principalmente às bandas em questão: Bunny Ranch dia 18 e Rolls Rockers a 19.
Então vamos lá falar do primeiro dia. Os Anti Clockwise voltaram a apresentar o seu rock-punk musculado, sem grandes recortes técnicos, é verdade, mas com uma entrega que merece todo o respeito. Tocaram e convenceram todos os que deslocaram ao Garage, sem dar qualquer descanso aos instrumentos. Um bom concerto. O melhor momento da noite, contudo, estava reservado para os Gluecifer, uma banda norueguesa, muito pouco conhecida por estas paragens, mas com uma carreira digna de nota e um som poderoso, a que ninguém ficou alheio. Aliás, a presença ambígua do seu vocalista — um cruzamento de cantor louco com empregado bancário (?) — e o seu discurso sempre provocador acabou por originar algumas conversas engraçadas com o público. O concerto, esse, correu sempre bem. Os Gluecifer sabem o que fazem em cima de palco, o seu som forte é quase sempre bem colocado e nota-se que já andam nisto há alguns anos. Sem que se tenha assistido a uma noite memorável, bem pode dizer-se que o investimento feito tinha rendido os seus frutos.
Dia 19. Depois dos Rolls Rockers subiram ao palco os High Heels. Uma banda com guitarras sempre em destaque, um vocalista meio louco, meio rouco, mas uma vontade de tocar e dar espectáculo impressionante. Fizeram um belo set, com destaque para a colocação das guitarras e o trabalho do baixista. Juntos fazem uma parede de som que, após mais trabalho de casa com o baterista, pode fazer estragos. Nota negativa apenas para a mais do que provável de público existente em Portugal para o tipo de som praticado pelos High Heels... mas isso não é problema deles. Perde quem não os ouve. A banda grande da noite eram os Toilet Boys. Os mesmos que fizeram a primeira parte dos Red Hot Chilli Peppers na última deslocação da banda californiana à capital, num concerto sem história. Desta vez, como cabeças de cartaz, os nova-iorquinos estavam decididos a fazer as coisas de forma diferente. E que grande espectáculo deram eles no Garage. O facto de terem um vocalista que mais parece um mulherão mas que, mais tarde, o público descobre ser tão homem como muitos ministros que andam por aí faz, automaticamente, destes boys uns miúdos especiais. Depois, o front-man (?) da banda é mesmo bom. E a voz é o que menos interessa, se bem que mesmo aí os rapazes da casa banho estejam bem servidos. Toda a gente canta e não é por aí que não fazem passar a sua mensagem. Com um rock mais orelhudo e fácil do que as bandas anteriores e muito mais savoir-faire em palco, os Toilet Boys foram os grandes triunfadores deste festival, Música com Atitude, aliando uma boa prestação musical a uma espectáculo incrível em palco. Coreografias engraçadas entre os vários membros da banda e o discurso sempre provocador do vocalista fizeram as delícias dos presentes. Bom, mesmo muito bom. Obrigado Blow Up e Rock Sound. Bernardo Ribeiro
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