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Zita Swoon
Quando a música não é tudo!
24.Fev.2003
Já sabíamos que a Bélgica não é um dos mais populares países desta velha ou nova Europa, como preferir o leitor. Mas curioso foi verificar como a ironia do vocalista e front-man dos Zita Swoon foi tão mordaz — ou mesmo mortífera? — para o seu próprio país no concerto realizado dia 22 no Paradise Garage. E falamos primeiro deste aspecto antes da música porque estes belgas são muito mais do que apenas música. São uma atitude, uma forma de vida, uma maneira de estar perante os problemas. E nós que vivemos hoje o pesadelo da pedofilia — que os belgas já atravessam há cerca de uma década — percebemos nesta banda como a auto-estima de um povo pode ficar abalada. Uma das frases deixadas no ar não deixa muitas dúvidas: «Aqui alguém conhece a Bélgica? Não percam o vosso tempo». Mas falar primeiro da atitude social de uma banda não quer dizer que a música tenha sido deixada para segundo plano. Aliás, antes pelo contrário. Zita Swoon deram um concerto quase memorável no Paradise Garage, não fosse o terem sido obrigados a terminar mais cedo devido aos horários praticados na bela sala de Alcântara (a propósito, quando é que os promotores vão perceber que estes concertos têm de começar um pouco mais cedo para que possamos ter mais tempo para desfrutar das bandas?). Mas regressemos novamente à música. Os Zita Swoon começaram trôpegos e com alguns temas menos conseguidos, mas deixando para trás o seu lado mais experimental e abordando os seus temas mais rock convenceram rapidamente todos aqueles que se deslocaram ao Garage. Se calhar até nem era difícil, pois eram muitos os fãs acérrimos presentes, mas a verdade é que mesmo os menos informados — como este repórter — acabaram por adorar a prestação de uma banda que mistura de tudo um pouco para criar um som que, sem deixar de ser rock, é muito, mas muito mais do que isso. Deixamos mesmo o aviso: a ver sem reservas em próximas visitas ao nosso país...
Bernardo Ribeiro
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