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  Entrevista
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Como e quando começaram?

Começámos em finais de 1999, quando eu (Pedro Oliveira) e o Pedro Pereira (Spock - Baixo) nos juntávamos na cave dele para umas jam sessions, embora já tivesse na mente a junção do rap com o hardcore desde que ouvi pela 1ª vez o "I'm the man" dos Anthrax. As letras começaram a surgir e os riffs a baterem-nos na cabeça e decidimos avançar. Convidámos o Nuno Sá, amigo de longa data e fundador dos extintos Rocknöids (juntamente com o Pedro Oliveira), e começámos a criar músicas. Havia a necessidade de um guitarrista pois eu não conseguia exercer essa função em conjunto com a de vocalista, e convidámos o Ricardo Silva. Seguiu-se então o recrutamento de um segundo guitarrista e o escolhido foi o Pedro Pedro (Pêpê), um amigo do Nuno, para essa função. Resultou logo à primeira, e o entusiasmo era cada vez maior. No entanto o Ricardo não se identificava com a nossa música e decidimos por unanimidade a sua saída. Foi então que o Pêpê trouxe um amigo de infância para assistir a um ensaio. Ele gostou do que ouviu e disse que queria participar nos axamani como guitarrista. Após uma jam o Ricardo Diogo passou a fazer parte do bando. Para completar a banda entrou o Fernando Veloso (Defi) para as turntables.

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Como surgiu o nome da banda?

Simplesmente veio-me à cabeça, gostei do nome e assim ficou.

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Quais são as palavras certas para dar a conhecer a vossa banda?

Manifesto, análise, liberdade, poder, respeito.

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Que género de música é que vocês tocam?

Rapcore, muito mais influenciado pelo hardcore do que pelo rap.

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Tornou-se frequente dizer que a música pode incitar à violência, concordam?

Não. A música pode fazer com que a visualizemos, mas não nos incita a praticá-la. As mensagens sim. Bem como as atitudes de quem as transmite. Essas podem incitar a violência. Tudo depende da interpretação que cada indivíduo dá à mensagem. Mas o problema não se resume só à música em si. A sociedade em que vivemos anda sempre à procura de bodes expiatórios para os seus próprios erros. E a música por vezes é atingida por essa necessidade de encontrar sempre um culpado, justo ou não.
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Qual a mensagem que pretendem fazer passar com a vossa música?
O auto-conhecimento e auto-disciplina, questões sociais, hipocrisia religiosa, a liberdade de escolha e de pensamento, o respeito pela natureza e pela vida, saber aceitar a diferença para que sejamos também nós aceites, sem julgamentos.
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Quem escreve as letras? Que temas abordam?

Eu (Pedro Oliveira). Os temas abordados são os que eu já mencionei. No caso das músicas presentes neste concurso, "Animal pouco racional" fala do ser humano e de como ele se relaciona com a natureza, nomeadamente na sua destruição. "Kamikaze" é um caso à parte. Não é uma letra típica de axamani. Fala sobre a hipotética maneira de pensar de um streat racer ou coisa do género. Basicamente é uma música Rock n' Roll à la "Born to be wild", só que adaptada às velocidades que os carros e motos de hoje praticam, eheheh!

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Onde vão buscar a vossa inspiração?

À sociedade a que estamos "algemados", ao dia-a-dia, à raiva interior que sentimos quando vemos as injustiças a que muitos milhões estão sujeitos.

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Que musicos admiram e quais são as vossas principais influências?

Tudo o que ouvimos, vemos e sentimos nos influência de uma maneira ou de outra. Por exemplo, se eu tiver um dia mesmo fodido, eu vou fazer uma letra cheia de raiva e de contestação. Pelo contrário, se eu estiver de bem comigo mesmo, e com o que me rodeia, faço uma letra mais positiva. Quanto a músicos que admiramos, só posso falar por mim, embora muitos deles sejam comuns aos restantes elementos da banda: Slayer, D.R.I., Suicidal Tendencies, Jimmy Hendrix, Bob Dylan, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Zeca Afonso, Carlos Paredes, António Chaínho, At Tambur, R.A.T.M., Manu Chao, Lenine, Chico Science e Nação Zumbi, Taraf de Haidöuk, Perry Farrel, Mike Patton, Ratos de Porão, Amen, Linea 77, S.O.D., M.O.D., Bob Marley, Gilberto Gil... uf... já chega???

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Se pudessem escolher uma personalidade do mundo da música, com quem gostariam de trabalhar no futuro?

(Pedro Oliveira) Mais uma vez respondo por mim. Sérgio Godinho.

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Já fizeram parte de outros projectos? Se sim, o que é que se passa com esses projectos?

Eu (Pedro Oliveira) e o Nuno fizemos parte dos Rocknöids. O Spock fez parte de uma série de bandas de rock nos anos 80, entre elas os RS, e os Faunus (esta última já no início dos anos 90). Foram projectos que acabaram como a maior parte dos projectos que vêm de fora das grandes cidades (todos sabemos a que cidades me refiro...).

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Já alguma vez tocaram ao vivo, qual foi o feed-back?

Ainda não tocámos ao vivo. Esperamos fazê-lo em breve. Depois, logo se vê.

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Como vêm o panorama musical português?

Está melhor. As editoras / promotoras investem mais em bandas desconhecidas do grande público e há cada vez mais escolha dentro da música portuguesa. Já não se investe sempre nas mesmas bandas nem no mesmo estilo, como há uns anos atrás. Mas isso também não me interessa muito. Com a internet, deixámos de precisar de editoras / promotoras para dar a conhecer a nossa música. Por isso, eles que se fodam.

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O que mudariam?

Eu mudaria pouca coisa, até porque isto não é resultado da acção de uma só pessoa. Acredito que há muita gente no negócio que tem valores e que luta por agir de acordo com eles. Mas o mercado não deixa. E toda a gente precisa de ganhar o seu ordenado. A maior parte deles tem filhos em casa para alimentar. E por isso, muitas vezes se põe os nossos valores de parte.

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O que pensam acerca da chamada música "pimba"?

A do Emanuel? É fixe. Tem uma letra engraçada é uma musiquinha que me faz lembrar os bailaricos que se realizavam quando eu era miúdo. Acho mal terem pegado nessa música para rotular um estilo. Pior ainda é meterem tudo no mesmo saco. Não tem nada a ver. Dizerem que Marco Paulo é o mesmo que Quim Barreiros é pura ignorância. Depois há a questão de estar "agora" na moda. Muitos destes artistas (nem todos o são) já cá andam há muito tempo, quando muitos dos que os criticam ainda usavam fraldas. Eu lembro-me de ver as roullottes nas feiras a vender cassetes do Emanuel, do Marco Paulo, da Tonicha, do Herman José (sim, as músicas que ele cantava na altura têm tudo a ver com as "pimbas" de hoje), etc. Pode-se não gostar, mas há que manter o respeito pela opinião dos outros. Até porque muitos deles têm o seu valor como compositores.

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Eram capazes de abdicar do vosso estilo para aumentarem as vendas?

Não. Não andamos aqui para ganhar dinheiro. A música para nós é uma necessidade mas não vivemos dela, por isso, fazemos o que nos dá nos cornos. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, amigos na mesma.

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Porque escolheram a net para divulgar o vosso trabalho?
Porque é o melhor meio de divulgação que uma banda underground pode ter. Eu, como ouvinte, é na net que vou à procura de novas bandas e novos sons.
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Estão de acordo com a difusão de música através de mp3, ou acham que é uma violação dos direitos de autor?
Estou de acordo. Penso que a maior parte das pessoas que fazem o download de músicas no formato mp3, acaba sempre por comprar os discos. Se não os compram não é por terem o álbum todo em mp3, mas sim porque não têm dinheiro para comprar todos os álbuns que querem, e como a vida é feita de prioridades, compram uns em detrimento de outros. Acho que os artistas que andam a processar a torto e a direito deviam primeiro pensar nos fãs. Já para não falar na sua própria realização como músicos. Com a tecnologia mp3 passaram a poder divulgar projectos paralelos sem terem de recorrer a editoras. Passaram a ter muito mais liberdade criativa, pois não têm de passar pela "censura" das editoras para divulgar esses mesmos projectos. E quem fala de projectos paralelos, fala dos próprios projectos principais. Se uma editora não quiser disponibilizar no formato tradicional uma música porque, ou a linguagem, ou a própria mensagem é demasiado ofensiva, podem-no fazer através do formato mp3. Isto é só um pequeno exemplo de como a facilidade de divulgação pode favorecer a arte
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O que fazem quando não estão a tocar?
Uns trabalham, outros estudam. Quando podemos bebemos uns copos com os amigos, joga-se uma suecada, mandamos piropos às cachopas, enfim, a vidinha do costume de quem é incógnito.
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Querem deixar uma mensagem para aqueles que vos vão ouvir pela 1ª vez?
Claro. Espero que gostem da nossa música, que passem pelo nosso site (www.axamani.org) e que gozem a vida, porque "para se morrer, só é preciso estar vivo". Fiquem bem :)

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