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Counting
Crows - «Hard Candy»
Geffen,
Universal, 2002
Se
«Hard Candy» tivesse um rótulo, a mensagem subliminar estaria
relacionada com o Verão, o pôr-do-sol, a agradável brisa ao
fim da tarde, um sentimento de paz interior e a música dos Counting Crows
como som de fundo. O estilo que conservam desde o êxito de "Mr.Jones",
em «August & Everything After» (1993), continua idêntico:
um misto de tristeza com saudade, mas com esperança num futuro positivo;
um pop que não é sempre fácil, mas com melodias e refrões
capazes de ficar na memória. E memória é o conceito mais
explorado neste disco, não só em termos líricos por Adam
Duritz (voz, piano e letras), mas também em termos técnicos. «Hard
Candy» teve a participação de dois produtores (Ethan John
e Steve Lillywhite) que trabalhavam com a banda duas ou quatro semanas, até
que os Counting Crows partiam para alguns concertos e voltavam de novo para editar
e relembrar canções que há pouco tempo tinha sido compostas.
A promover o álbum está o single "American Girls", com
a prestação de coros de Sheryl Crow, denotando algum facilitismo
sonoro da banda, cedendo à promoção fútil de um tema
que dificilmente há-de ser recordado (longe de um "Mr. Jones"...).
"Butterfly In Reverse", a faixa nº6, tem tudo para ser o próximo
single - uma composição bela com violinos em que todos os intrumentos
caminham para um mesmo sentido, escrita a meias com Ryan Adams quando este passeava
pelo estúdio onde Adam Duritz cantarolava "Had a lot of girlfriends,
I should have known them". Ao quinto álbum, os Counting Crows
não se descolam do som que os caracteriza desde o início, mas estão
mais maduros, como é de esperar, e guardam um constante profissionalismo.
Para o fim de «Hard Candy», reservam-nos uma bonus track que combina
funk com a secção de violinos, guitarra acústica e o mesmo
feeling de serenidade ritmada que percorre o álbum. Ivo
Carvalho |