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Foo
Fighters
- «One By One»
Roswell
Records, 2002
Para
quem esperava do quarto álbum dos Foo Fighters um registo
de canções melódicas, que se engane. Os rapazes
estão mais duros, mas nem por isso melhores – diferentes.
A crueza do primeiro disco, «Foo Fighters» (1995), depois
a melodia bem construída naquele que é o mais aclamado
e dos melhores discos de sempre «The Colour And The Shape»
(1997) seguido do forte «There’s Nothing Left To Lose»
(1999)... tudo isto são registos que comprovam o diluir da
figura de Dave Grohl como patrão único do movimento,
contribuindo para o nascimento de uma banda em «One By One».
“All My Life” é um extraordinário single
e a prova da vitalidade musical da banda, mas quase que se pode
dizer que o álbum se esgota nele. Pois o que se segue não
o supera. “Low”, “Disenchanted Lullaby”,
“Have It All”, “Halo” e “Lonely As
You” são as faixas mais interessantes, que denotam
mais esforço e empenho da banda. Num disco que reúne
“Times Like These”, “Tired Of You”, “Overdrive”
ou “Burn Away” como músicas fáceis, fúteis
e tão gastas na sua forma mesmo antes de as ouvirmos, “Come
Back” parece conter em si a razão para tal: a última
faixa de «One By One», com quase oito minutos parece
uma cópia de uma qualquer faixa de «Songs For The Deaf»
dos Queens Of The Stone Age. Talvez pela sua participação
activa como baterista dos Queens, Dave Grohl baixou a chama que
iluminava o seu estilo mais criativo de melodias singulares para
cumprir, então, este contrato com a editora, este «One
By One».
Ivo Carvalho
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Les
Baton Rouge - «Women Non-Stop»
Elevator Music, 2002
Os
portugueses Les Baton Rouge são formados por Suspiria Franklyn
(voz e guitarra), James Jacket (guitarra), Corrine Dumas (bateria)
e Peter Shample (baixo). Inspirados pelo movimento ‘Grrrl
Riot’ e pelo puro punk do final dos anos ’70, «Women
Non-Stop» é certamente o álbum português
mais original do ano de 2002.
O primeiro choque surge com a voz estridente, bem aguda e feminina
de Suspiria. São gritos delirantes de quem prega por direitos
femininos e de igualdade, seja em francês, em inglês
ou em les-baton-rougês... O difícil é mesmo
destacar uma canção, dada a força de cada uma,
mais original do que a outra. Tudo soa a ambientes novos, a vanguardismo
e, ao mesmo tempo, a épocas passadas do Punk, do ‘do
it your self’, do ‘sê tu próprio e não
ligues aos tops’. Que outra saída pode haver?
Em ‘Velvet Barbed Wire’, os Baton Rouge lêm-nos
os direitos (‘You have the right to remain screaming[…]Everything
you say can be used and it will be used to put us thinking’)
para nos prendermos a ‘C’est Quoi Ça?’
- pensativa, com vozes fantasmagóricas e em francês.
E que album é este? São os Les Baton Rouge. Resta
rendermo-nos ao universo do Baton: as mulheres estão no poder,
«Women Non-Stop».
Ivo
Carvalho
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